A programação da SPFW vai bem além de desfiles. Esta edição, por exemplo, contou com o evento Fio da Meada. Promovido pela Vogue e Iguatemi, os 28 encontros que ocorreram entre os dias 17 e 28 de outubro, tiveram como objetivo fomentar a discussão de como o trabalho manual aliado à tecnologia pode criar atitudes transformadoras, bem como debater a moda nessa era tão tecnológica. Para falar sobre percepção, mídia e imagem, foram convidados o diretor criativo Giovanni Bianco, a blogueira Camila Coutinho, o CEO da empresa Flag, Roberto Martini e a cantora Anitta. O resultado? Muitos insights e reflexões sobre moda, consumo e futuro dessa área. Confira!

O bate papo com os experts nos temas foi um dos mais aguardados da edição. Não é a tôa que foram lotadas três salas do shopping. Na sala 1, para imprensa e convidados, ficavam os palestrantes, cuja palestra era exibida em tempo real nas demais salas. Giovanni Bianco foi o mediador da conversa e abriu os trabalhos com dados de que 100 milhões de horas de vídeo são assistidos por dia e, em sua maioria, vistos pelo celular. “O boom da nova geração altamente conectada, também produtora de conteúdo, fez com que novos posicionamentos fossem tomados pelas empresas e marcas”, afirma.

Para Roberto Martini, dono da grande plataforma de disrupção criativa, a criatividade e inovação ganham ainda mais valor. “É preciso se reinventar a todo momento, revisitar a sua essência e se posicionar com sabedoria”, diz. Para ele, “o ponto é que a conectividade aumentou a capacidade de repertório de todos. Porém, a pasteurização criada pelas redes privilegia ainda mais o original”.

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Há 10 anos a frente do site Garotas Estúpidas, a blogger Camila Coutinho, referência quando o assunto é moda, lançou recentemente seu canal no You Tube, um novo desafio. “As ideias são criadas e copiadas a todo instante. Então, é preciso sempre parar e pensar: o que eu posso fazer de novo?”, afirma. Foi assim com a criação do projeto “De Carona”, na qual entrevista personalidades no trajeto de carro e no “Cami e Vic Take”, cobrindo os bastidores das semanas de moda. “Ninguém fazia esse tipo de bastidor, então apostamos e fizemos muitas temporadas. Agora, muita gente já está fazendo igual então demos uma pausa para reformular e criar novas ideias”, diz. Para ela, a receita para se manter sempre a audiência e o sucesso na internet ou em qualquer meio é não se acomodar jamais.

Palavra essa que está fora do vocabulário da cantora Anitta. Visionária e focada – tanto que gerencia sozinha suas redes socias – a cantora não teve medo de ousar a lançar seu clipe de “Bang” no You Tube, um pouco a contragosto do diretor Giovanni Bianco, quem tem em seu portfólio nada mais nada menos que vários trabalhos para Madonna. Para ele, o Fantástico era a melhor opção. “Pra mim o programa era o supro sumo, mas a Anitta me fez enxergar que eu precisava abrir a mente para essas novas tecnologias e espaços que o ambiente virtual pode nos oferecer”. O resultado? Sucesso absoluto com mais de 200 milhões de views somente do clipe. O canal da cantora já bateu 1 bilhão.

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Para a cantora, que já é considerada sucesso internacional, as redes sociais precisam ser administradas com cautela e com foco na essência de cada um, sem criar personagens. “Apesar que isso faz um enorme sucesso. As pessoas gostam do artificial, da felicidade sempre mesmo que o momento não seja tão feliz assim, gostam da ostentação. Isso é o mais chato. Gosto de mostrar o que eu sou e principalmente gosto de como a tecnologia fez com que meu trabalho e de todos chegassem a absolutamente todos os públicos”. afirmou.

E existe espaço fora das redes?

Giovanni provocou uma reflexão sobre ser possível manter o sucesso mesmo estando fora das redes citando a marca Céline, que mesmo fora das redes sociais, é relevante no mercado. Para Coutinho, é possível mas é preciso estar bem posicionado. ” A Chanel, por exemplo, percebeu que precisava investir no instagram e fez isso respeitando sua essência, tanto que deu certo. É uma escolha, uma estratégia”, afirma.

Para Martini, tudo também é questão de posicionamento. “Se a marca se mantiver fora, com um pensamento e atitudes sólidas, isso também vai despertar a atenção.  É  duro ficar fora das redes, mas tudo são escolhas. Para a marca, o que realmente tem valor?  Aumentar o valor individual de seu produto, ou ganhar no volume de vendas? Existe um novo jogo da economia, que aproveita a conectividade extrema para obter lucro. Se essa for a escolha, tudo bem. Mas também é preciso refletir. Afinal, qual o lugar mais legal, especial da cidade? O que não conhece, ou que poucos conhecem, ou aquele que todo mundo sabe qual é?”, conclui.

 

 

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Aline Sanromã
Written by Aline Sanromã
Jornalista, pós-graduada em Moda pelo Instituto Europeo di Design e Coffee Lover! O site reúne minhas duas grandes paixões e, é claro, tudo mais que enchem os olhos, os looks e o coração!